06 novembro 2007

ainda trouxe areia nos sapatos... (parte 3)

O calor do dia quase chega aos 30 graus. Nada de espectacular, num ano em que Novembro está especialmente quente em Portugal. Mas à noite, bem à noite, mal o sol se despede e as dunas adormecem, o calor desaparece, e o frio perfura a pele, chega aos ossos... O aconchego de uma camisola é essencial, mas não dispenso uma cerveja, regressado da secura das dunas. Os lábios são os primeiros a ressentir-se de um esquecimento. O baton do cieiro faz mais falta na mesa da sala, em Lisboa.

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A garganta mais fresca e o jantar quase pronto. As espetadas do almoço dão, novamente, lugar ao frango. Mas no último dia, ao almoço, um guisado de vaca aconchega o estomago para os primeiros 500 quilómetros da viagem de regresso.

São 16 horas e arrancamos rumo a Meknés. Primeira paragem, Rissani. Abastecimento. Logo de seguida, Erfoud. Recordações para quem quer. Fico na rua. Já ali tinha estado no passado. Espero pelos companheiros de viagem juntamente com mais alguns. Um miúdo, não tinha mais de 12 anos, oferece-se para "proteger" o carro. Agradeço, mas não é necessário. Naquela zona sentimo-nos seguros, sem perigo. Há imensa polícia na rua, basta virar uma esquina e lá está um agente.

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Inédito foi o que aconteceu a seguir. O amigo do miúdo que quer ser segurança de automóveis aproxima-se de mim quando me dirijo para o carro. "Un cadeau, un cadeau", diz-me. Agradeço, mas não penso comprar o dromedário que cabe na palma da mão feito de verga. Mas o puto não me pede dinheiro e coloca o boneco no apoio do cotovelo, no interior da porta do carro. Não resisti, decidi ficar com ele e deixar-lhe uma simbólica quantia. Senti-me estúpido. Porque não levei uns lápis, umas t-shirts?...

3 comentários:

Eva Luna disse...

Que inveja!!!! DIVERTE-TE!!!

Namaste disse...

Tenho um Gonçalo Cadilhe em casa e não sabia????
Adorei estes três posts...e as fotos estão brutais!
Não queres escrever uns livritos sobre viagens e levar-me contigo?
Parabéns!

Sunday Morning disse...

Não era nada má ideia... Passávamos o tempo por esse mundo fora e eu ia escrevendo umas coisinhas! A única condição era que não podíamos usar avião, tal e qual o Gonçalo Cadilhe!

Obrigado, fico feliz, muito feliz, por saber que gostaste! Amo-te!!!