bastou os números começarem a resvalar para o nosso Pm deixar de andar de peito feito a dizer que cumprimos "custe o que custar" e remeter-se ao silêncio. hoje nem piou quando o confrontaram com os números do desemprego. já são quase 15% com uma excelente oportunidade para mudar de vida.
um especialista em emprego/trabalho, Luís Bento, disse hoje que não há trabalhadores a mais na Função Pública. há, sim, gente a mais a trabalhar para os órgãos de soberania e não a trabalhar para os cidadãos. boa parte são resquícios dos que entraram com novos elencos governamentais e foram ficando quando estes deixaram o poder. porque, infelizmente, quem manda preocupa-se em ter mais um motorista novo do que reforçar serviços sem capacidade de resposta para as populações.
o embuste que está na Segurança Social, diz que o desemprego é o maior problema nacional. a avaliar pelas prioridades do Governo, isso não é verdade. ainda assim, diz que os mecanismos de protecção social existem precisamente para isso, para proteger quem teve a infelicidade de ficar sem emprego. esqueceu-se foi de dizer que, desde que trocou a Vespa pelo Audi A8, que tem reduzido os orçamentos desses mesmos mecanismos.
e podia continuar a mandar postas de pescada. mas já estou fartinho...
escrevo porque quero, escrevo porque me apetece, escrevo porque sim... e não tem de ser ao domingo de manhã!
16 maio 2012
10 maio 2012
atravessar Portugal... de bicicleta
estes grandes malucos saíram de Bragança e têm descido rumo... a Sagres. são nove dias (1200 quilómetros e 30 mil metros de acumulado) sempre a pedalar por paisagens ímpares, maioritariamente no interior do país. ontem, os participantes chegaram a Castelo de Vide, tendo partido em Monfortinho. foi uma etapa dura, com quase 150 quilómetros de extensão e mais de três mil metros de acumulado. no vídeo vê-se bem as dificuldades que já tinham na chegada à vila alentejana.
hoje, a caravana segue rumo a Reguengos de Monsaraz, e começou por passar nas Carreiras, em Alegrete e em Monforte. na frente está Vítor Gamito, o antigo ciclista que chegou a vencer uma Volta a Portugal. destaque, ainda, para o João Pedro Conde, de Portalegre e membro do Penhas BTT Team, que após a quinta etapa era 28º entre 62 inscritos, embora destes, apenas 44 se mantenham em competição.
quem estiver interessado, pode obter mais informações aqui e ver os vídeos das etapas aqui.
nota: raios partam a queda de ontem. continuo aflito do ombro e não consegui ir à chegada de ontem nem pude ver o início da prova de hoje. mas o que interessa é recuperar e largar estas dores que nem me deixavam dormir.
hoje, a caravana segue rumo a Reguengos de Monsaraz, e começou por passar nas Carreiras, em Alegrete e em Monforte. na frente está Vítor Gamito, o antigo ciclista que chegou a vencer uma Volta a Portugal. destaque, ainda, para o João Pedro Conde, de Portalegre e membro do Penhas BTT Team, que após a quinta etapa era 28º entre 62 inscritos, embora destes, apenas 44 se mantenham em competição.
quem estiver interessado, pode obter mais informações aqui e ver os vídeos das etapas aqui.
nota: raios partam a queda de ontem. continuo aflito do ombro e não consegui ir à chegada de ontem nem pude ver o início da prova de hoje. mas o que interessa é recuperar e largar estas dores que nem me deixavam dormir.
07 maio 2012
um programa sobre comida que é um documentário social e um retrato de uma cidade e de um país
Anthony Bourdain tem aquele estilo meio rock & roll, meio desleixado e anda pelo mundo fora a fazer televisão. mas é uma televisão muito própria. porque o chef norte-americano adora comer e beber. e o que ele faz nos seus programas, na conceituada e premiada série "No reservations" (Sem Reservas - passa na SIC Radical) é isso: come e bebe.
mas cada episódio é muito mais do que um simples programa sobre comida. é muito mais do que isso. como Daniel Oliveira já escreveu no Expresso, "Anthony Bourdain tem um programa sobre comida. Ou seja, Anthony Bourdain tem um programa sobre a vida".
na televisão nacional, como infelizmente a política é comprar programas dos anos anteriores (calculo que sejam mais baratos), ainda só podemos ver o temporada 7. mas na oitava, Bourdain vem a Portugal pela terceira vez. desta feita, pára em Lisboa.
que programa... Bourdain mostra o que de bom se faz no fogão mas não se fica por aí. entre uma pata de caranguejo, uma guitarrada dos Dead Combo, o pensamento de António Lobo Antunes ou uma piada de José Diogo Quintela, o chef norte-americano mostra o que é Portugal no início do século, os dilemas económicos, as regras (algumas delas absurdas) que chegam de Bruxelas e com as quais todos temos de viver, as conservas, as bifanas ou um mercado tradicional.
não sei quando vamos poder ver este documento, que envergonha muitos trabalhos de informação sobre Portugal, na televisão. mas por via das dúvidas, e mesmo sem legendas, vale a pena ver...
mas cada episódio é muito mais do que um simples programa sobre comida. é muito mais do que isso. como Daniel Oliveira já escreveu no Expresso, "Anthony Bourdain tem um programa sobre comida. Ou seja, Anthony Bourdain tem um programa sobre a vida".
na televisão nacional, como infelizmente a política é comprar programas dos anos anteriores (calculo que sejam mais baratos), ainda só podemos ver o temporada 7. mas na oitava, Bourdain vem a Portugal pela terceira vez. desta feita, pára em Lisboa.
que programa... Bourdain mostra o que de bom se faz no fogão mas não se fica por aí. entre uma pata de caranguejo, uma guitarrada dos Dead Combo, o pensamento de António Lobo Antunes ou uma piada de José Diogo Quintela, o chef norte-americano mostra o que é Portugal no início do século, os dilemas económicos, as regras (algumas delas absurdas) que chegam de Bruxelas e com as quais todos temos de viver, as conservas, as bifanas ou um mercado tradicional.
não sei quando vamos poder ver este documento, que envergonha muitos trabalhos de informação sobre Portugal, na televisão. mas por via das dúvidas, e mesmo sem legendas, vale a pena ver...
a espera valeu bem a pena...
foram muitos os meses de antecipação. desde outubro/novembro do ano passado que andava a preparar a participação na Maratona de Portalegre BTT, na versão meia-maratona, ou seja, com 60 quilómetros. a espera valeu bem a pena. a minha primeira participação naquela que é considerada a grande festa do BTT nacional foi inesquecível.
a meta era simples: chegar ao fim. mas depois de ter feito duas meias-maratonas bem duras nas semanas anteriores, acrescentei um objectivo: completar a distância entre as quatro horas e as 4h30. não deu. precisei de 5h20. mas é mesmo assim. quando andamos em grupo, o colectivo fala sempre mais alto. e se combinei fazer a maratona com mais dois amigos, assim aconteceu. é muito bom, porque nos incentivamos uns aos outros e quando um se vai abaixo, os outros esperam e ajudam. aconteceu com os três em momentos diferentes. ainda assim, foi pena alguns problemas mecânicos. não tivessem surgido e teríamos chegado mais cedo e menos desgastados, porque as quebras de ritmo dão cabo de nós. mas as coisas são mesmo assim, faz parte e não foi por isso que deixámos de desfrutar desta experiência.
os primeiros 15 quilómetros foram em asfalto. para quem faz BTT, parece não fazer sentido, mas para além da passagem na cidade propriamente dita, serve de excelente aquecimento e permite estender o pelotão com uma subida bem selectiva. se assim não fosse, chegaríamos aos trilhos e haveria um enorme engarrafamento. é preciso saber gerir uma prova com cerca de 2000 participantes e, neste caso, a organização fá-lo na perfeição.
a primeira parte em terra foi excelente. quase sempre a descer, a diversão atingiu o limite. acho que nunca tinha tido tanto gozo em cima de um bicicleta. depois do primeiro reabastecimento começaram as primeiras dificuldades a sério e, pelo meio, ainda houve tempo para me perder estupidamente e para termos de trocar a câmara de ar furada na bicicleta do meu irmão.
o grande desafio desta maratona, na versão mais curta, era uma subida com cerca de 12 quilómetros. foi dura quanto baste, mas não fosse o cansaço nas pernas e nem me teria apercebido da extensão do desafio, pois entre conversas com os companheiros da aventura e as paisagens deslumbrantes do Parque Natural da Serra de São Mamede, parece que a subida até foi mais pequena do que na realidade.
a partir daí, e apesar de mais duas dificuldades (uma delas bem tramada, com piso cheio de pedras soltas e escorregadias por causa da humidade), voltei a aumentar a velocidade e a divertir-me ao máximo em todas as descidas até regressar a Portalegre.
no final, inteiro e com a satisfação de ter chegado ao fim, tinha uma deliciosa sopa de cação à espera que soube maravilhosamente bem. para o ano há mais. e até lá vou continuar a pedalar.
o registo do GPS pode ser visto aqui:
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| partida |
os primeiros 15 quilómetros foram em asfalto. para quem faz BTT, parece não fazer sentido, mas para além da passagem na cidade propriamente dita, serve de excelente aquecimento e permite estender o pelotão com uma subida bem selectiva. se assim não fosse, chegaríamos aos trilhos e haveria um enorme engarrafamento. é preciso saber gerir uma prova com cerca de 2000 participantes e, neste caso, a organização fá-lo na perfeição.
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| no início da grande subida |
o grande desafio desta maratona, na versão mais curta, era uma subida com cerca de 12 quilómetros. foi dura quanto baste, mas não fosse o cansaço nas pernas e nem me teria apercebido da extensão do desafio, pois entre conversas com os companheiros da aventura e as paisagens deslumbrantes do Parque Natural da Serra de São Mamede, parece que a subida até foi mais pequena do que na realidade.
a partir daí, e apesar de mais duas dificuldades (uma delas bem tramada, com piso cheio de pedras soltas e escorregadias por causa da humidade), voltei a aumentar a velocidade e a divertir-me ao máximo em todas as descidas até regressar a Portalegre.
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| no final... cansados mas felizes! |
o registo do GPS pode ser visto aqui:
29 abril 2012
mérito ou demérito
o FCP conquistou novo título nacional mas, acredito, que mais do que o mérito que possa ter tido, houve demérito do Benfica. custa dizê-lo mas é a mais pura das verdades. infelizmente, com JJ, a equipa do Glorioso só joga meio campeonato, meios jogos, meios troféus. o senhor do farandol, bazófias e teimoso como poucos, insistiu vezes sem conta no erro e deu-se mal.
independentemente das arbitragens, não é possível ter cinco pontos de avanço e esbanjá-los. custa quase tanto como ter visto o FCP ser campeão na Luz no ano passado.
agora é altura de pensar muito bem o que queremos para o próximo ano. uma coisa é certa, eu não quero vitórias morais. não me chega ver JJ dizer que antes dele chegar nem passávamos as fases de grupos da Liga dos Campeões. o que fica são os títulos. e esses são poucos na temporada que está a chegar ao fim. A Taça da Liga não chega.
parabéns ao FCP que conseguiu, mesmo com problemas no plantel e um treinador fraco, vencer mais uma campeonato. e não, não vou estar aqui a queixar-me dos árbitros, dos penaltis que não são mas marcam a favor do FCP ou dos que são mas não marcam para o Benfica. repito, com pontos de vantagem, não se pode perder a vantagem e entregar o título ao adversário.
independentemente das arbitragens, não é possível ter cinco pontos de avanço e esbanjá-los. custa quase tanto como ter visto o FCP ser campeão na Luz no ano passado.
agora é altura de pensar muito bem o que queremos para o próximo ano. uma coisa é certa, eu não quero vitórias morais. não me chega ver JJ dizer que antes dele chegar nem passávamos as fases de grupos da Liga dos Campeões. o que fica são os títulos. e esses são poucos na temporada que está a chegar ao fim. A Taça da Liga não chega.
parabéns ao FCP que conseguiu, mesmo com problemas no plantel e um treinador fraco, vencer mais uma campeonato. e não, não vou estar aqui a queixar-me dos árbitros, dos penaltis que não são mas marcam a favor do FCP ou dos que são mas não marcam para o Benfica. repito, com pontos de vantagem, não se pode perder a vantagem e entregar o título ao adversário.
19 abril 2012
emocionado
a pobreza é como a heroína. pode corroer aos bocadinhos, mas fá-lo com uma eficácia tremenda. anteontem voltei a emocionar-me. a brilhante crónica de Fernando Alves, na rubrica diária, Sinais, na TSF, provocou tamanha libertação.
Alves conta-nos o episódio de Alejandro Toledo e do seu colega publicitário que ele encontrou a caminho de uma cantina social, para ir buscar comida. É uma realidade muita, a daqueles que, de repente, dão por si em desgraça, sem casa, sem sustento, sem solução.
mas que importa? perante os nossos líderes, portugueses, espanhóis, franceses, europeus, americanos... isso são danos colaterais, como se de uma guerra desnecessária se tratasse. desde que continuemos a alimentar aqueles que, de facto, têm vivido acima das suas possibilidades porque sabem que quando o sistema entrasse em colapso estaríamos cá todos para o manter.
entretanto surgem, todos os dias, casos como os do colega de profissão de Alejandro Toledo e que nos apertam as entranhas, essas mesmas que, ao que parece, os nossos políticos não têm.
sim, anteontem emocionei-me. deixo-vos o brilhante texto de Fernando Alves. se preferirem ouvir, têm a ligação em cima.
"Alejandro Toledo é um bem sucedido criativo de uma agência espanhola de publicidade. Há dias, caminhava em Madrid quando viu um antigo companheiro de profissão. Cumprimentaram-se e ele percebeu que o outro ia buscar comida a uma instituição de solidariedade.
Estou a contar-vos isto que li num jornal espanhol e não me sai da cabeça a frase de campanha de Sarkozy pedindo que votem nele para evitar uma crise como a da Espanha. E Mario Monti repetindo a cantilena. E a justa cólera dos espanhóis, Rajoy pedindo prudência nas declarações. Rajoy prudente, engolindo a cólera, engolindo a vontade de desatar o latim.
Mas Toledo percebeu que o outro, ainda ontem, tal como ele, um publicitário bem sucedido, ia agora à sopa dos pobres. Viu que o outro entrou num refeitório social e saiu com a sua ração de comida. Por dentro, a dignidade amarfanhada. Por fora, a roupa cuidada, disfarçando a condição de novo pobre.
Pode acontecer contigo, comigo. Já amanhã.
Alejandro Toledo ficou muito impressionado, a tal ponto que decidiu fazer um spot televisivo para a Caritas, chamando a atenção para a importância do trabalho humanitário. O resultado foi um filme comovente. Teria custado 40 mil euros. Mas todos os que nele participaram o fizeram gratuitamente. O homem que representa o novo pobre de Madrid é um malabarista que Toledo encontrou na rua. A menina que faz de sua filha é a filha de Toledo, o autor da campanha.
...
A primeira cena mostra-nos uma rua movimentada, fim de dia. A cidade já iluminada, reflexos de luzes nos estabelecimentos. Um homem, ainda jovem, caminha com uma menina. Agora ela pára. Encosta a cara ao vidro da montra. Tem um gorro roxo, uma mochila. Não larga um urso de peluche que aperta contra o peito.
O homem puxa uma enorme mala de viagem com rodas. Há uma loja de frutas. Atravessam, agora, um centro comercial. A menina chora junto a uma das montras. Depois senta-se no passeio. O pai incita-a a que prossiga. Estugam o passo, puxando a grande mala. O rosto do homem cruza-se com o de uma deusa da publicidade, num cartaz. Escureceu. É a menina que puxa agora a grande mala, como se fosse um cão pela trela. A casa pela trela. Há grupos de sem abrigo estendendo os seus cartões. O homem e a menina hão-de fazer o mesmo, adiante.
Agora amanheceu. Caminham de novo pelas ruas, entram na casa onde outros esperam não se sabe o quê. Podia ser uma sala de espera de um hospital. Sentam-se, o homem coloca uns sacos de plástico na cadeira ao lado. A menina não larga o urso de peluche. A fila começa a mover-se. Mulheres de bata branca estendem aos da fila embalagens com alimentos.
Saem para a rua. Agora estão sentados num banco de jardim. O homem abre a embalagem. É sopa, ainda fumegante. Ele dá sopa à menina. Talvez conte uma história enquanto leva a colher de sopa à boca da filha. Há um homem que toca acordeon. O homem e a filha sorriem. Abraçam-se. A menina corre para um escorrega.
...
Cala-te, Sarkozy. Um pouco de pudor. Verguenza."
este é o vídeo que Alves descreve...
Alves conta-nos o episódio de Alejandro Toledo e do seu colega publicitário que ele encontrou a caminho de uma cantina social, para ir buscar comida. É uma realidade muita, a daqueles que, de repente, dão por si em desgraça, sem casa, sem sustento, sem solução.
mas que importa? perante os nossos líderes, portugueses, espanhóis, franceses, europeus, americanos... isso são danos colaterais, como se de uma guerra desnecessária se tratasse. desde que continuemos a alimentar aqueles que, de facto, têm vivido acima das suas possibilidades porque sabem que quando o sistema entrasse em colapso estaríamos cá todos para o manter.
entretanto surgem, todos os dias, casos como os do colega de profissão de Alejandro Toledo e que nos apertam as entranhas, essas mesmas que, ao que parece, os nossos políticos não têm.
sim, anteontem emocionei-me. deixo-vos o brilhante texto de Fernando Alves. se preferirem ouvir, têm a ligação em cima.
"Alejandro Toledo é um bem sucedido criativo de uma agência espanhola de publicidade. Há dias, caminhava em Madrid quando viu um antigo companheiro de profissão. Cumprimentaram-se e ele percebeu que o outro ia buscar comida a uma instituição de solidariedade.
Estou a contar-vos isto que li num jornal espanhol e não me sai da cabeça a frase de campanha de Sarkozy pedindo que votem nele para evitar uma crise como a da Espanha. E Mario Monti repetindo a cantilena. E a justa cólera dos espanhóis, Rajoy pedindo prudência nas declarações. Rajoy prudente, engolindo a cólera, engolindo a vontade de desatar o latim.
Mas Toledo percebeu que o outro, ainda ontem, tal como ele, um publicitário bem sucedido, ia agora à sopa dos pobres. Viu que o outro entrou num refeitório social e saiu com a sua ração de comida. Por dentro, a dignidade amarfanhada. Por fora, a roupa cuidada, disfarçando a condição de novo pobre.
Pode acontecer contigo, comigo. Já amanhã.
Alejandro Toledo ficou muito impressionado, a tal ponto que decidiu fazer um spot televisivo para a Caritas, chamando a atenção para a importância do trabalho humanitário. O resultado foi um filme comovente. Teria custado 40 mil euros. Mas todos os que nele participaram o fizeram gratuitamente. O homem que representa o novo pobre de Madrid é um malabarista que Toledo encontrou na rua. A menina que faz de sua filha é a filha de Toledo, o autor da campanha.
...
A primeira cena mostra-nos uma rua movimentada, fim de dia. A cidade já iluminada, reflexos de luzes nos estabelecimentos. Um homem, ainda jovem, caminha com uma menina. Agora ela pára. Encosta a cara ao vidro da montra. Tem um gorro roxo, uma mochila. Não larga um urso de peluche que aperta contra o peito.
O homem puxa uma enorme mala de viagem com rodas. Há uma loja de frutas. Atravessam, agora, um centro comercial. A menina chora junto a uma das montras. Depois senta-se no passeio. O pai incita-a a que prossiga. Estugam o passo, puxando a grande mala. O rosto do homem cruza-se com o de uma deusa da publicidade, num cartaz. Escureceu. É a menina que puxa agora a grande mala, como se fosse um cão pela trela. A casa pela trela. Há grupos de sem abrigo estendendo os seus cartões. O homem e a menina hão-de fazer o mesmo, adiante.
Agora amanheceu. Caminham de novo pelas ruas, entram na casa onde outros esperam não se sabe o quê. Podia ser uma sala de espera de um hospital. Sentam-se, o homem coloca uns sacos de plástico na cadeira ao lado. A menina não larga o urso de peluche. A fila começa a mover-se. Mulheres de bata branca estendem aos da fila embalagens com alimentos.
Saem para a rua. Agora estão sentados num banco de jardim. O homem abre a embalagem. É sopa, ainda fumegante. Ele dá sopa à menina. Talvez conte uma história enquanto leva a colher de sopa à boca da filha. Há um homem que toca acordeon. O homem e a filha sorriem. Abraçam-se. A menina corre para um escorrega.
...
Cala-te, Sarkozy. Um pouco de pudor. Verguenza."
este é o vídeo que Alves descreve...
Las Vegas
que susto apanhei eu ontem. recebi um mail com o assunto Las Vegas. não, a despedida de solteiro não vai ser na cidade do pecado. mas podia ser. e ver assim o nome da terra do jogo no assunto, lê-lo de chofre, assustou-me. depois caí em mim e pensei que num fim-de-semana não dava para voar até lá. ou melhor, até dava. mas de que valia passar lá duas horas? pouco. e assim fiquei com a curiosidade no máximo para saber onde os cinco mosqueteiros me querem levar.
em breve saberei... :)
em breve saberei... :)
15 abril 2012
46 km de BTT em Nisa, com divertimento, sofrimento e paisagens deslumbrantes
uma pedalada de cada vez, a minha evolução no BTT tem sido crescente. estreei-me nas maratonas para fazer uma meia de 35 km. dificuldade moderada. foi excelente para começar e como andava com um ritmo porreiro, cheguei ao fim e sentia-me muito bem.
passo seguinte, nova meia-maratona, em Nisa. 46 quilómetros e uma dificuldade em subida muito maior. as minhas pernas que o digam. foi preciso chegar aos 30 anos para saber o que é, de facto, uma cãibra.
mas os obstáculos foram todos superados. a dor de burro e o cansaço iniciais, a exaustão final. e valeu bem a pena. porque o BTT é uma forma salutar e única de desfrutar da Natureza, foi impressionante descer trilhos xistosos, subir barreira de barro e fazer parte do percurso ao longo do Tejo. indescritível!
foi duro, foi difícil. exigiu pedaladas fortes, vigorosas e, depois, a bicicleta contentou-se com as possíveis. quase até não poder mais. mas a recompensa foi de tal forma que, depois do descanso merecido, já me preparo para nova maratona, desta vez mais abaixo, em Estremoz. dizem que a Serra de Ossa faz mossa!
pois que seja. lá estarei para tentar superar mais um desafio!
passo seguinte, nova meia-maratona, em Nisa. 46 quilómetros e uma dificuldade em subida muito maior. as minhas pernas que o digam. foi preciso chegar aos 30 anos para saber o que é, de facto, uma cãibra.
mas os obstáculos foram todos superados. a dor de burro e o cansaço iniciais, a exaustão final. e valeu bem a pena. porque o BTT é uma forma salutar e única de desfrutar da Natureza, foi impressionante descer trilhos xistosos, subir barreira de barro e fazer parte do percurso ao longo do Tejo. indescritível!
foi duro, foi difícil. exigiu pedaladas fortes, vigorosas e, depois, a bicicleta contentou-se com as possíveis. quase até não poder mais. mas a recompensa foi de tal forma que, depois do descanso merecido, já me preparo para nova maratona, desta vez mais abaixo, em Estremoz. dizem que a Serra de Ossa faz mossa!
pois que seja. lá estarei para tentar superar mais um desafio!
02 abril 2012
what a week
de domingo a domingo. uma semana no Rali de Portugal. desde 2005 que não falho um, mas nunca tinha estado envolvido durante tanto tempo. que para o ano haja mais.
01 abril 2012
29 março 2012
em Californication o rock é roll, puro e cru!
Hanni El Khatib. descobri este nome depois de ouvir uma malha brutal no último episódio que vi de Californication. entre White Stripes e Black Keys, este som é eléctrico!
aqui está a versão ao vivo no Porto. o início é tão genuíno e arrepiante...
aqui está a versão ao vivo no Porto. o início é tão genuíno e arrepiante...
28 março 2012
tampões nos ouvidos
a última vez que tinha recorrido a tampões nos ouvidos aconteceu em 2002, ou seja, há dez anos. vivia na Irlanda e tinha ido passar o fim-de-semana a Dublin. para pagar o menos possível, optei por ficar numa camarata com, se me recordo, 8 ou 10 beliches, ou seja, 16 ou 20 camas. a primeira noite foi péssima e no dia seguinte, mal me levantei, fui comprar uns tampões para poder ter um sono descansado.
esta noite tive de fazer o mesmo para tentar dormir uma hora que fosse. felizmente, os tampões que tinha na mochila, e que nunca usei nas muitas corridas de carros a que fui nos últimos anos, foram extremamente úteis. e eu que tinha pensado deitá-los fora há umas semanas, na limpeza que tinha feito.
as pequenas esponjas amarelas não isolaram o som do companheiro de quarto na totalidade, mas só assim consegui descansar um pouco. logo à noite vou "fechar" os ouvidos mal me enfie no vale dos lençóis.
esta noite tive de fazer o mesmo para tentar dormir uma hora que fosse. felizmente, os tampões que tinha na mochila, e que nunca usei nas muitas corridas de carros a que fui nos últimos anos, foram extremamente úteis. e eu que tinha pensado deitá-los fora há umas semanas, na limpeza que tinha feito.
as pequenas esponjas amarelas não isolaram o som do companheiro de quarto na totalidade, mas só assim consegui descansar um pouco. logo à noite vou "fechar" os ouvidos mal me enfie no vale dos lençóis.
27 março 2012
o campeão do Mundo continua a fazer a sua história... desta vez estreou-se na "catedral" dos ralis em Portugal
Sébastien Loeb é campeão do Mundo de ralis há oito anos... consecutivos! não há ninguém com tantas vitórias, tantos títulos, tantos recordes batidos no desporto automóvel. nem mesmo Michael Schumacher que foi campeão mundial de Fórmula 1... apenas (!!!) sete vezes.
mas há sempre uma primeira vez e, no passado sábado, foi a estreia do francês no mítico troço Fafe-Lameirinha. Loeb nunca tinha passado na famosa passagem de asfalto do Confurco porque a última vez em que esta especial se realizou para o Mundial de ralis foi em 2001, ainda o gaulês não competia no WRC.
mesmo a feijões, o francês não deixou de andar a fundo. desta vez não ganhou, ficou a duas centésimas do vencedor, Petter Solberg. mas nem por isso deixou de dar espectáculo e, quase de certeza que sentiu aquele arrepio na barriga ao vir os milhares e milhares que ladearam o percurso quase de início ao fim!
mas há sempre uma primeira vez e, no passado sábado, foi a estreia do francês no mítico troço Fafe-Lameirinha. Loeb nunca tinha passado na famosa passagem de asfalto do Confurco porque a última vez em que esta especial se realizou para o Mundial de ralis foi em 2001, ainda o gaulês não competia no WRC.
mesmo a feijões, o francês não deixou de andar a fundo. desta vez não ganhou, ficou a duas centésimas do vencedor, Petter Solberg. mas nem por isso deixou de dar espectáculo e, quase de certeza que sentiu aquele arrepio na barriga ao vir os milhares e milhares que ladearam o percurso quase de início ao fim!
26 março 2012
o espectáculo já começou mas a competição só arranca na quinta
percursora, inovadora e nostálgica! é assim a edição de 2012 do Rali de Portugal. a principal prova automobilística que se realiza em Portugal, e uma das melhores do Mundo, começa na quinta-feira mas os adeptos já vibraram no sábado.
o ACP decidiu levar os WRC ao berço da modalidade em Portugal, e o troço Fafe - Lameirinha encheu-se de gente num fenómeno de massas e agregador cada vez mais raro. arrepiou ver aqueles milhares entoarem cânticos e estremecerem de emoção enquanto os seus ídolos passavam de forma sempre espectacular.
hoje e amanhã já há reconhecimentos mas é na quinta-feira que a competição tem início a contar. a super-especial de Lisboa dá o mote para quatro dias de contra-relógio, enquanto os três troços nocturnos desse mesmo dia são o primeiro e novo desafio que os pilotos terão pela frente.
este é um dos momentos grandes do ano e eu não falto. :)
o ACP decidiu levar os WRC ao berço da modalidade em Portugal, e o troço Fafe - Lameirinha encheu-se de gente num fenómeno de massas e agregador cada vez mais raro. arrepiou ver aqueles milhares entoarem cânticos e estremecerem de emoção enquanto os seus ídolos passavam de forma sempre espectacular.
hoje e amanhã já há reconhecimentos mas é na quinta-feira que a competição tem início a contar. a super-especial de Lisboa dá o mote para quatro dias de contra-relógio, enquanto os três troços nocturnos desse mesmo dia são o primeiro e novo desafio que os pilotos terão pela frente.
este é um dos momentos grandes do ano e eu não falto. :)
25 março 2012
24 março 2012
23 março 2012
serão só episódios?
relativizar faz parte da política. mas fazer política e relativizar a condição humana é muito pouco digno, mesmo para essa actividade tão "nobre". perdoem-me as aspas, mas a políticas ao mais alto nível em Portugal bate, todos os dias, no fundo. ouvir o ministro da Defesa relativizar (insisto no termo) a actuação da polícia na manif em Lisboa é preocupante. porque, em primeiro lugar, demonstra que não esteve a par do que aconteceu. em segundo, revela bem a inexistente preocupação pelos portugueses, os seus concidadãos, aqueles que constituem a sociedade portuguesa, que tornam o país dinâmico, activo... mesmo que determinados sectores, muito pequenos mas com acesso ao capital, tente menosprezar todo esse valor (podemos mesmo chamar-lhe capital) por causa da ganância que lhes é inerente.
a acção da polícia foi absurda. os agentes não podem desatar à bastonada daquela forma. não têm esta coragem quando é preciso controlar claques, entrar em determinados bairros ou combater determinado tipo de crimes. nesse caso lamentam-se porque sofrem de falta de condições.
última nota: não fiz greve. não por falta de vontade mas porque neste momento não posso. não tenho emprego. mas se critico a forma vergonhosa como quem está no poder reage à revolta e à indignação de quem faz greve, se manifesta ou simplesmente defende outros caminhos para sairmos deste buraco, também critico todos aqueles que se armaram em moralistas na última greve geral do governo de Sócrates (disseram que as greves não resolviam nada e que o que era preciso era trabalhar) mas que agora não afinam pelo mesmo diapasão. têm de ser coerentes. prefiro continuar sem concordar com determinadas pessoas e respeitá-las do que vê-las a saltitar de opinião em opinião conforme a cor que pinte as paredes de São Bento.
a acção da polícia foi absurda. os agentes não podem desatar à bastonada daquela forma. não têm esta coragem quando é preciso controlar claques, entrar em determinados bairros ou combater determinado tipo de crimes. nesse caso lamentam-se porque sofrem de falta de condições.
última nota: não fiz greve. não por falta de vontade mas porque neste momento não posso. não tenho emprego. mas se critico a forma vergonhosa como quem está no poder reage à revolta e à indignação de quem faz greve, se manifesta ou simplesmente defende outros caminhos para sairmos deste buraco, também critico todos aqueles que se armaram em moralistas na última greve geral do governo de Sócrates (disseram que as greves não resolviam nada e que o que era preciso era trabalhar) mas que agora não afinam pelo mesmo diapasão. têm de ser coerentes. prefiro continuar sem concordar com determinadas pessoas e respeitá-las do que vê-las a saltitar de opinião em opinião conforme a cor que pinte as paredes de São Bento.
15 março 2012
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