a política tem o seu lado nobre quando praticamente por aqueles que se preocupam com a comunidade, com o bem comum. a discussão, o argumento de ideias, o debate devem ser fomentados e as decisões políticas são meritórias quando se opta pela melhor solução das existentes, sempre em benefício da sociedade em geral e não de alguns ou de uma minoria.
infelizmente isso não acontece em Portugal e, creio, na maior parte dos países que se auto-intitulam de desenvolvidos. hoje, dia da mulher, há histórias e notícias que nos fazem engolir em seco. para começar, com anos avanços, as mulheres continuam a receber menos que os homens em profissões ou tarefas iguais. no nosso país a diferença é de 13 por cento, melhor que a média europeia, que é de 17 por cento. mas em Portugal só 6 por cento dos cargos de administração são ocupados por mulheres, contra os 27 por cento da Finlândia. a este respeito estamos conversados. é mesmo triste, principalmente quando muitas empresas invocam o critério da competência para terem mais homens à frente dos destinos das empresa. enfim.
começou hoje o caso Freeport. não há nenhum político no banco dos réus. nem digo mais nada.
vamos ao que me levou a abrir o blogue e a escrever. ora há pouco tempo, o ministro da segurança social (ou deverei dizer da caridadezinha mesquinha?) anunciou que, por erro dos serviços, muitas pessoas estavam a receber mais do que deviam em subsídios e afins. como medida de justiça, esta gente, muita sem possibilidade de subsistência, teria de devolver esse dinheiro... a começar já. pois ontem descobriu-se que a Lusoponte, aquela empresa liderada por um antigo ministro de Cavaco (podemos até dizer que Ferreira do Amaral está para a Lusoponte como Jorge Coelho está para a Mota-Engil), cumpriu as indicações do Governo e cobrou portagens em Agosto na 25 de Abril. Como o fez, o Estado não teria de pagar quase 5 milhões de euros em compensações. mas, adivinhem, pagou. terá sido por engano comp nas contas da segurança social? dúvido. entretanto,há uma diferença entre estes dois casos: os dos subsídios da segurança social tiveram de começar a devolver. a Lusoponte, do subsídio das portagens, vai ficar com o dinheiro. a empresa já disse, ouvi na rádio, que não tencionava receber qualquer verba a que não tivesse direito. mas não tenciona devolvê-la. um secretário de Estado também já disse que não vai pedir o dinheiro de volta porque este ficará para pagar futuras compensações relativas a este ano. quais? já não há borlas para os utilizadores em mês nenhum. enquanto centenas de empresas vivem asfixiadas porque o Estado (seja central ou as autarquias) deve milhões e põe em causa a economia, os empregos e a consistência destas companhias, muitas delas pequenas e médias, há uma liderada por um antigo ministro de Cavaco que recebe a dobrar a tempo e horas e não devolve. é uma espécie de fiel depositário.
no meio disto tudo, o PSD veio dizer que a culpa é do PS porque este fez um contrato blindado com a Lusoponte (desta não esperava eu agora, sinceramente) e ainda disse aos socialistas para se deixarem de "chafurdice política" ao falarem de episódios menores, como este.
ah, creio que foi o vice-líder da bancada parlamentar que disse tudo isto e se justificou a incapacidade do Governo em recuperar o dinheiro pago com os contratos blindados, depois disse à jornalista da TSF, que foi possível tornear esse mesmo contrato na questão da cobrança das portagens em Agosto passado com situação difícil pela qual o país está a passar.
entre a chafurdice e o lodo políticos, venha o diabo e escolha...
escrevo porque quero, escrevo porque me apetece, escrevo porque sim... e não tem de ser ao domingo de manhã!
08 março 2012
29 fevereiro 2012
falta pouco para o circo começar
o grande circo que é a Fórmula 1 está prestes a começar. em meados do próximo mês, o Mundial tem início nos antípodas, com o Grande Prémio da Austrália.
e nada melhor do que a Red Bull que fez um pequeno vídeo para acelerar o ritmo cardíaco dos apaixonados pela Fórmula 1...
e nada melhor do que a Red Bull que fez um pequeno vídeo para acelerar o ritmo cardíaco dos apaixonados pela Fórmula 1...
19 fevereiro 2012
paranóia
a paranóia do BTT atacou-me em força. desde que comprei a bicicleta, em setembro, já fiz mais de 1300 quilómetros. para quem leva a disciplina a sério, isso não é nada, mas eu sou um simples praticante que o faz de forma recreativa, que gosta de dar uns passeios com mais malta, de conviver e, acima de tudo, desfrutar de ar puro e das magníficas paisagens. reaprendi uma coisa, esta é uma das melhores formas de descobrir o campo e encontrar tranquilidade e paz de espírito. enquanto sofro a subir, ou procuro descer depressa mas sem cair, vou concentrado em mim e na bicicleta, numa experiência ímpar sempre que tenho sempre que me monto e saio para mais umas pedaladas.
independentemente dos quilómetros percorridos, estas voltas de BTT fizeram-me recuperar algumas coisas tão boas e simples. uma delas foi experimentar a vida no campo de uma forma que sempre gostei, como eram as idas aos tortulhos com os meus pais, a apanha da castanha ou piqueniques junto à barragem na primavera. no outro dia, por exemplo, assisti às brincadeiras de dois coelhos (acabaram em acasalamento) e, logo à seguir, lá ia a perdiz toda direitinha, como se fosse buscar a última garrafa de whisky... são muitos os encontros com vacas e vitelos por esses pastos fora.
com um inverno seco, custa ver os terrenos sem água. hoje, num passeio, fazíamos imenso pó. parecia que estávamos em pleno julho mas com temperaturas mais baixas. também nisso consigo perceber como os terrenos estão maus para quem vive da agricultura. e só o sei porque saio para os campos de bicicleta. ficar na cidade, mesmo que pequena, nunca me abriria os olhos para estas realidades.
numa fase mais complicada da vida a nível profissional, as duas rodas ajudam a esquecer e, acima de tudo, a ganhar ânimo. nos dias em que saio de casa e está vento (só quem pedala sabe o quão difícil e pedalar contra o vento) são muitas as vezes que penso: "é mais difícil pedalar contra o vento, literalmente, do que remar contra a maré, em sentido figurado."
independentemente dos quilómetros percorridos, estas voltas de BTT fizeram-me recuperar algumas coisas tão boas e simples. uma delas foi experimentar a vida no campo de uma forma que sempre gostei, como eram as idas aos tortulhos com os meus pais, a apanha da castanha ou piqueniques junto à barragem na primavera. no outro dia, por exemplo, assisti às brincadeiras de dois coelhos (acabaram em acasalamento) e, logo à seguir, lá ia a perdiz toda direitinha, como se fosse buscar a última garrafa de whisky... são muitos os encontros com vacas e vitelos por esses pastos fora.
com um inverno seco, custa ver os terrenos sem água. hoje, num passeio, fazíamos imenso pó. parecia que estávamos em pleno julho mas com temperaturas mais baixas. também nisso consigo perceber como os terrenos estão maus para quem vive da agricultura. e só o sei porque saio para os campos de bicicleta. ficar na cidade, mesmo que pequena, nunca me abriria os olhos para estas realidades.
numa fase mais complicada da vida a nível profissional, as duas rodas ajudam a esquecer e, acima de tudo, a ganhar ânimo. nos dias em que saio de casa e está vento (só quem pedala sabe o quão difícil e pedalar contra o vento) são muitas as vezes que penso: "é mais difícil pedalar contra o vento, literalmente, do que remar contra a maré, em sentido figurado."
08 fevereiro 2012
quase dá vontade de chorar
defendem os teóricos que os blocos informativos nas televisões, como o da hora de jantar, não deviam durar mais do que meia hora. não podia estar mais de acordo. teríamos informação sintética e directa. tudo o resto, em especial os fait-divers, seriam enquadrados noutro tipo de programas (com os canais de cabo, espaço não falta).
isto a propósito de mais uma preciosidade acerca do frio. no Telejornal de hoje, José Rodrigues dos Santos noticiou que já se faz sentir, de novo, o frio em... adivinhem... não, mais um compasso de espera... pois é, em Lisboa. a capital que tentam vender como uma cidade amena agora é o exemplo do frio que chega até este cantinho à beira-mar plantado. não é Bragança, não é a Covilhã. é Lisboa. justificar-se-ia se estivesse, de facto, mesmo muito frio. mas nem é o caso. tudo indica que as mínimas para hoje são de três graus... positivos!!! e a máxima andou a rondar os 15 ou 16.
e qual foi a solução? mandarem um jornalista para os jardins de Belém (foi o que me pareceu) perguntar às pessoas se lidavam bem com o frio, se custava muito e o que faziam para se aquecerem. as respostas foram... óbvias! ninguém disse que andava de calções de banho ou de biquini. as pessoas revelaram, para nosso espanto, que vestem camisolas, casacos. fiquei pasmado quando soube. porque aqui no Interior nós fazemos isso. afinal não estamos assim tão atrasados.
depois de uns minutos perdidos e de um bom exemplo de como não gerir uma redacção, quem definiu a linha editorial do Telejornal de hoje teve o desplante de falar da vaga de frio que assola a Europa, que já matou quase 500 pessoas (sim, 500 pessoas!!!), que há gente isolada, há pessoas sem electricidade, outras com risco de perderem as casas porque os telhados não aguentam a neve... e nós andamos aqui a brincar ao fresquinho que faz em Lisboa. poupem-me!
para culminar este momento muito infeliz da televisão pública, surgiu uma notícia (e aqui não há qualquer culpa da RTP que só fez bem em informar) ficamos a saber que há uma idiota (desculpem mas não arranjo outro termo) com responsabilidades governativas em França - é só secretária de estado da saúde - que aconselha os sem abrigo a ficarem em casa durante este fase mais rigorosa do inverno. casa? qual casa?
isto a propósito de mais uma preciosidade acerca do frio. no Telejornal de hoje, José Rodrigues dos Santos noticiou que já se faz sentir, de novo, o frio em... adivinhem... não, mais um compasso de espera... pois é, em Lisboa. a capital que tentam vender como uma cidade amena agora é o exemplo do frio que chega até este cantinho à beira-mar plantado. não é Bragança, não é a Covilhã. é Lisboa. justificar-se-ia se estivesse, de facto, mesmo muito frio. mas nem é o caso. tudo indica que as mínimas para hoje são de três graus... positivos!!! e a máxima andou a rondar os 15 ou 16.
e qual foi a solução? mandarem um jornalista para os jardins de Belém (foi o que me pareceu) perguntar às pessoas se lidavam bem com o frio, se custava muito e o que faziam para se aquecerem. as respostas foram... óbvias! ninguém disse que andava de calções de banho ou de biquini. as pessoas revelaram, para nosso espanto, que vestem camisolas, casacos. fiquei pasmado quando soube. porque aqui no Interior nós fazemos isso. afinal não estamos assim tão atrasados.
depois de uns minutos perdidos e de um bom exemplo de como não gerir uma redacção, quem definiu a linha editorial do Telejornal de hoje teve o desplante de falar da vaga de frio que assola a Europa, que já matou quase 500 pessoas (sim, 500 pessoas!!!), que há gente isolada, há pessoas sem electricidade, outras com risco de perderem as casas porque os telhados não aguentam a neve... e nós andamos aqui a brincar ao fresquinho que faz em Lisboa. poupem-me!
para culminar este momento muito infeliz da televisão pública, surgiu uma notícia (e aqui não há qualquer culpa da RTP que só fez bem em informar) ficamos a saber que há uma idiota (desculpem mas não arranjo outro termo) com responsabilidades governativas em França - é só secretária de estado da saúde - que aconselha os sem abrigo a ficarem em casa durante este fase mais rigorosa do inverno. casa? qual casa?
uma questão de probabilidade
qual é a probabilidade de ir contra uma vedação enquanto ando de bicicleta? não é grande. mas, no meu caso, esta aumenta substancialmente. apercebi-me disso hoje.
em primeiro lugar, sinto que cada vez me custa mais ver ao longe. e como os óculos de sol que uso quando ando de bicicleta não são graduados, a minha capacidade de ver o que me rodeia é menor.
a porteira está fechada. de um dos lados tem uma saca pendurada. pensei que do outro não houvesse cerca mas sim uma passagem de grade no chão (técnica utilizada que permite os carros passarem normalmente mas impede o gado de o fazer porque o espaçamento das tubagens é demasiado grande e as patas entram para o buraco).
sem problemas, o que é que fixe? continuem a pedalar ainda com mais vigor (era a ligeiramente a descer, o que ajudava). só percebi que a porteira estava fechada a menos de cinco metros. travões a fundo e embate. consegui reduzir bastante a velocidade mas não evitei um embate de primeiro grau com o raio dos arames.
situação caricata, esta. nunca imaginei que isso acontecesse, mas juntando todos os factores, porque não haveria de acontecer. e foi de tal forma que ainda tive de arranjar os estragos e endireitar a rede sustentada pelos paus. ele há coisas...
em primeiro lugar, sinto que cada vez me custa mais ver ao longe. e como os óculos de sol que uso quando ando de bicicleta não são graduados, a minha capacidade de ver o que me rodeia é menor.
a porteira está fechada. de um dos lados tem uma saca pendurada. pensei que do outro não houvesse cerca mas sim uma passagem de grade no chão (técnica utilizada que permite os carros passarem normalmente mas impede o gado de o fazer porque o espaçamento das tubagens é demasiado grande e as patas entram para o buraco).
sem problemas, o que é que fixe? continuem a pedalar ainda com mais vigor (era a ligeiramente a descer, o que ajudava). só percebi que a porteira estava fechada a menos de cinco metros. travões a fundo e embate. consegui reduzir bastante a velocidade mas não evitei um embate de primeiro grau com o raio dos arames.
situação caricata, esta. nunca imaginei que isso acontecesse, mas juntando todos os factores, porque não haveria de acontecer. e foi de tal forma que ainda tive de arranjar os estragos e endireitar a rede sustentada pelos paus. ele há coisas...
referências geográficas no jornalismo (quando Portugal é Lisboa e o resto é paisagem)
por vezes, os jornalistas também são obtusos. de forma inconsciente ou não, os erros acontecem e enfermam de um problema grave. porque são falhas de surgem, não por distracção ou por desatenção, mas porque, no dia-a-dia, as pessoas (neste caso os jornalistas) pensam assim. uma das lacunas que assistimos com regularidade nos nossos meios de comunicação social está relacionado com a forma diferente de tratar os assuntos porque aconteceram na capital, ou nos arredores, ou de não os tratar só porque a notícia foi em Castelo Branco, ou em Portalegre, ou na Guarda, e isso é um bocado longe e não dá jeito nenhum. por isso, não se informa.
podemos justificar esta não cobertura com o que se chama de constrangimentos organizacionais (ou não há pessoal, ou ir ao local fica caro, etc., etc.). mas o pior disto tudo é quando o jornalista assume, tal como determinados governantes, que Portugal é Lisboa e o resto é paisagem. ora vejamos estes dois casos paradigmáticos. nesta notícia, o jornalista situa o leitor quando coloca Laranjeiro no título. ou melhor, só o faz para quem sabe onde fica essa freguesia. a maioria dos portugueses não saberá. o mesmo seria dizer que algo tinha havido determinado acontecimento em Abaças (Vila Real) ou em Conceição (Faro). a maioria dos leitores ficaria na mesma. só quem está familiarizado com a zona - deve ser o caso de quem escreveu o artigo - é que fica logo situado. neste caso passa-se exactamente o contrário. ou seja, não se revela o nome da freguesia no título (Sá), nem o concelho (Monção), nem mesmo o distrito (Viana do Castelo. não vá algum leitor do Laranjeiro (já agora aproveito para esclarecer que é uma freguesia de Almada, na margem sul do Tejo) não saber onde é, a situação resolve-se facilmente. no título desta notícia sabemos que é algures no Alto Minho. esta região até pode ser das mais pequenas de Portugal mas, ainda assim, tem uma dimensão considerável.
sei perfeitamente que isto acontece sem qualquer premeditação mas é este tipo de acções que revela a forma como se pensa nos meios de comunicação em Portugal. sendo que são os media uns dos mais importantes veículos para a promoção da identidade de um país e do seu povo, era importante que se pensasse de uma forma mais igualitária e se tratassem as mais variadas zonas do território nacional sob uma perspectiva mais uniforme.
podemos justificar esta não cobertura com o que se chama de constrangimentos organizacionais (ou não há pessoal, ou ir ao local fica caro, etc., etc.). mas o pior disto tudo é quando o jornalista assume, tal como determinados governantes, que Portugal é Lisboa e o resto é paisagem. ora vejamos estes dois casos paradigmáticos. nesta notícia, o jornalista situa o leitor quando coloca Laranjeiro no título. ou melhor, só o faz para quem sabe onde fica essa freguesia. a maioria dos portugueses não saberá. o mesmo seria dizer que algo tinha havido determinado acontecimento em Abaças (Vila Real) ou em Conceição (Faro). a maioria dos leitores ficaria na mesma. só quem está familiarizado com a zona - deve ser o caso de quem escreveu o artigo - é que fica logo situado. neste caso passa-se exactamente o contrário. ou seja, não se revela o nome da freguesia no título (Sá), nem o concelho (Monção), nem mesmo o distrito (Viana do Castelo. não vá algum leitor do Laranjeiro (já agora aproveito para esclarecer que é uma freguesia de Almada, na margem sul do Tejo) não saber onde é, a situação resolve-se facilmente. no título desta notícia sabemos que é algures no Alto Minho. esta região até pode ser das mais pequenas de Portugal mas, ainda assim, tem uma dimensão considerável.
sei perfeitamente que isto acontece sem qualquer premeditação mas é este tipo de acções que revela a forma como se pensa nos meios de comunicação em Portugal. sendo que são os media uns dos mais importantes veículos para a promoção da identidade de um país e do seu povo, era importante que se pensasse de uma forma mais igualitária e se tratassem as mais variadas zonas do território nacional sob uma perspectiva mais uniforme.
04 fevereiro 2012
o dia em que me vi no meio de um cenário de guerra
ontem esteve frio. nem precisava de sair de casa para perceber isso. parece basta estar menos de 10 graus centígrados em Lisboa para que as televisões entrem em modo gelado e os seus jornalistas armem um pandemónio porque, finalmente, os cachecóis que orgulhosamente ostentam desde final de outubro (praticamente no dia seguinte ao último banho que deram na Caparica quando houve uma vaga de calor anormal para a época) têm utilidade.
parecia o pânico. cheguei a ouvir na SIC que era preciso coragem para se sair de casa. oh minha menina, só aqui que ninguém nos ouve: as temperaturas estavam positivas!!! sabe o que é isso? frio é o que passam os transmontanos em todos os invernos. enquanto essa gente passa frio, a menina não precisa sequer de ligar o ar condicionado do Smart porque Lisboa é uma cidade amena. mas se, porventura, a temperatura baixa dos cinco graus positivos é motivo, no seu entender, para recuperar as braseiras de picão, vestir três polares, colocar duas mantas térmicas por cima e fechar-se em casa porque o tempo lá fora está frio. será que não pensou no ridículo da situação? se fosse a si cancelava as férias na neve. diz que por lá as temperaturas são negativas. sabia que os países nórdicos estão fechados por causa do frio desde o início de dezembro? tudo porque seguiram o seu conselho.
mas adiante. não foi a idiotice de quem escreveu absurdo texto que me fez bater nas teclas. ontem esteve mais frio do que o habitual. mas na minha incursão pelos trilhos alentejanos em cima da bicicleta, não só combati as baixas temperaturas como me vi numa situação... estranha. passei por uma zona de guerra. exclamam: "deves estar a gozar." mas não estou.
ia eu tranquilo nas minhas pedaladas quando passei por dois batalhões de formandos que estão no curso da GNR. a marcharem, armados, caras pintadas de verde camuflado, fardas azuis. lá iam eles. e eu segui a minha vida. nem liguei. não é que mais à frente dou de cara com mais dois ou três batalhões, carros de apoio, unidade móvel de assistência médica, entre outras coisas? que aparato. e ainda por cima estavam mesmo no sítio onde eu tinha de passar para seguir o meu caminho. sem parar, continuem e, a determinada altura, um dos formadores disse-me "está a entrar numa zona de guerra". apesar do tom não ser muito assertivo, achei por bem acelerar a pedalada e dizer: "eu vou-me já embora", não fosse o diabo tecê-las. não passavam de treinos, mas nunca se sabe no que aquilo pode dar e, por via das dúvidas, pirei-me o mais depressa possível.
(agora que penso bem, isto não conta muito como tendo estado num cenário de guerra. ainda assim, foi uma experiência curiosa.) ah, note-se que quando os homens marcham e o líder entoa um daqueles cânticos que os soldados têm de repetir, só os da frente é que dão uso às goelas. os que marcham mais atrás aproveitam-se do ruído e não contribuem nem um bocadinho para o ambiente. escusado será dizer que o espectáculo perde força...
parecia o pânico. cheguei a ouvir na SIC que era preciso coragem para se sair de casa. oh minha menina, só aqui que ninguém nos ouve: as temperaturas estavam positivas!!! sabe o que é isso? frio é o que passam os transmontanos em todos os invernos. enquanto essa gente passa frio, a menina não precisa sequer de ligar o ar condicionado do Smart porque Lisboa é uma cidade amena. mas se, porventura, a temperatura baixa dos cinco graus positivos é motivo, no seu entender, para recuperar as braseiras de picão, vestir três polares, colocar duas mantas térmicas por cima e fechar-se em casa porque o tempo lá fora está frio. será que não pensou no ridículo da situação? se fosse a si cancelava as férias na neve. diz que por lá as temperaturas são negativas. sabia que os países nórdicos estão fechados por causa do frio desde o início de dezembro? tudo porque seguiram o seu conselho.
mas adiante. não foi a idiotice de quem escreveu absurdo texto que me fez bater nas teclas. ontem esteve mais frio do que o habitual. mas na minha incursão pelos trilhos alentejanos em cima da bicicleta, não só combati as baixas temperaturas como me vi numa situação... estranha. passei por uma zona de guerra. exclamam: "deves estar a gozar." mas não estou.
ia eu tranquilo nas minhas pedaladas quando passei por dois batalhões de formandos que estão no curso da GNR. a marcharem, armados, caras pintadas de verde camuflado, fardas azuis. lá iam eles. e eu segui a minha vida. nem liguei. não é que mais à frente dou de cara com mais dois ou três batalhões, carros de apoio, unidade móvel de assistência médica, entre outras coisas? que aparato. e ainda por cima estavam mesmo no sítio onde eu tinha de passar para seguir o meu caminho. sem parar, continuem e, a determinada altura, um dos formadores disse-me "está a entrar numa zona de guerra". apesar do tom não ser muito assertivo, achei por bem acelerar a pedalada e dizer: "eu vou-me já embora", não fosse o diabo tecê-las. não passavam de treinos, mas nunca se sabe no que aquilo pode dar e, por via das dúvidas, pirei-me o mais depressa possível.
(agora que penso bem, isto não conta muito como tendo estado num cenário de guerra. ainda assim, foi uma experiência curiosa.) ah, note-se que quando os homens marcham e o líder entoa um daqueles cânticos que os soldados têm de repetir, só os da frente é que dão uso às goelas. os que marcham mais atrás aproveitam-se do ruído e não contribuem nem um bocadinho para o ambiente. escusado será dizer que o espectáculo perde força...
01 fevereiro 2012
iniciação descendente
and down, down, down...
foi sempre a descer. a estreia no downhill correu muito bem. finalmente pus os pés em cima dos pedais e mandei-me para a serra com a vontade de controlar o bicho de duas rodas, passar por cima de calhaus, fazer os primeiros saltos (ainda que pequenos) e evitar as quedas.

ainda houve tempo para descer umas quantas escadarias e testar os travões a fundo, sem evitar saídas em frente nalgumas curvas mais apertadas ou uns sustos sempre que os pés descolavam dos pedais. não é uma sensação agradável. mas mesmo com estes pequenos percalços, a diversão foi tremenda.
a próxima ainda não está marcada, mas está prometida.
ah, é verdade. obrigado ao "professor".
foi sempre a descer. a estreia no downhill correu muito bem. finalmente pus os pés em cima dos pedais e mandei-me para a serra com a vontade de controlar o bicho de duas rodas, passar por cima de calhaus, fazer os primeiros saltos (ainda que pequenos) e evitar as quedas.

ainda houve tempo para descer umas quantas escadarias e testar os travões a fundo, sem evitar saídas em frente nalgumas curvas mais apertadas ou uns sustos sempre que os pés descolavam dos pedais. não é uma sensação agradável. mas mesmo com estes pequenos percalços, a diversão foi tremenda.
a próxima ainda não está marcada, mas está prometida.
ah, é verdade. obrigado ao "professor".
11 janeiro 2012
californication
já terei dito, porventura, que Californication é A série?
se sim, então reafirmo-o. tem tudo de bom e especial. e ainda tem a particularidade de começar cada nova época num período pouco habitual, janeiro.
eu já vi o primeiro episódio da quinta temporada. de topo!
cambada de miúdos mimados e mal-educados
antes de começar a discorrer a minha raiva, tenho de avisar que este texto pode ser agressivo e, de certa forma, preconceituoso.
esta noite fui ver Meia-Noite em Paris, o último filme realizado por Woody Allen. cada vez gosto mais das suas obras. uma história deliciosa e romântica que nos transporta para o passado. tal como o protagonista, não me importaria nada de, mesmo que por momentos, conviver com ícones da nossa literatura e das artes plásticas do século passado, como são Hemingway, Dali ou Picasso.
não foi, porém, o filme que hoje me levou a escrever. estou farto de assistir a tremendas faltas de educação. a projecção aconteceu no auditório da Escola Superior de Educação de Portalegre, numa iniciativa do Politécnico que leva o cinema aos estudantes e à comunidade. ninguém paga um tostão para ver bom cinema.
pois bem, parece que a iniciativa não é assim tão meritória, talvez por ser gratuita para os que assistem aos filmes. a sessão estava marcada para as 21 horas, mas foram muitos, cerca de um terço da plateia, que chegara, atrasados. como se isso não bastasse, ainda fizeram barulho, como se fossem pingentes da escola primária a entrarem para mais uma aula. não o são, mas, a avaliar pelo seu comportamento, a educação nas suas casas foi muito fraquinha.
infelizmente, não foram os únicos a precisarem de lições de educação intensivas. meia dúzia de meninas, e até uma senhora de meia idade, viram o filme. ou melhor, viram parte. porque em grande parte do tempo passaram-no a trocar mensagens via telemóvel, com aquelas luzinhas brancas irritantes que, num local escuro que deveria ser iluminado, apenas, pela tela, se tornavam quase intoleráveis.
foi preciso respirar fundo muitas vezes para não pegar nos aparelhos e parti-los. vontade não faltou!
no meio disto tudo, acho inadmissível a forma como pessoas bem formadas (supostamente), que frequentam o Ensino Superior, não saibam, afinal, o que é uma sala de cinema. a boa educação nunca fez mal a ninguém. bem pelo contrário. numa época em que falamos em competitividade, em soluções para a crise, acho que era preciso começar por aí, por educar bem as pessoas. não só formá-las para serem bons profissionais. de que vale alguém ter os conhecimentos se não sabe viver em sociedade?
aquelas meninas impertinentes vão ser, provavelmente, assistentes sociais, professoras de Primeiro Ciclo, educadoras de infância ou jornalistas. penso nisso e fico logo entusiasmado com o futuro... bem, se calhar não!
eu adoro cinema mas, não há dia nenhum que entre numa sala e não pense: "mas porque é que eu vim? tinha visto o filme em casa descansado e sem miúdos mal comportados a estragarem tudo."
04 janeiro 2012
não acredito em bruxas...
... mas por vezes parece mesmo que existem.
passo a explicar. o último grande passeio de bicicleta já foi há bastante tempo, em meados do mês passado. entretanto, uma série de acasos e contratempos, entre os quais uma dolorosa otite, impediram-me de voltar a dar ao pedal. mas na passada semana tudo voltou ao normal. ou melhor, devia ter voltado. Na sexta-feira, juntamente com o meu irmão, lá fui dar uma volta. fizemos 2,8km. e ficámos por aí. uma peça partida na bicicleta do meu irmão ditou o fim prematuro (muito mesmo) de um passeio que se adivinhava espectacular. o regresso às lides aconteceu ontem. sozinho, fiz-me aos trilhos... por 3,5km! um furo acabou com o prazer. Tinha uma câmara de ar na mochila, só que a válvula não servia nas rodas da minha bicicleta. que grande galo. depois de ter retirado a câmara de ar furada numa operação à MacGyver (tinha-me esquecido das ferramentas em casa e tive de improvisar) percebi que a solução era voltar a montar tudo e fazer cerca de dois quilómetros a pé, a empurrar a bicicleta com a roda furada. agora só me resta tentar quebrar o enguiço, hoje ou amanhã.
29 dezembro 2011
parafraseando o major: "não tenho medo de ninguém"
hoje começo uma nova vida! :) ei, 2012, estás aí? não te escondas! não tenho medo de ti! (cerro os punhos, estou pronto para lutar!)
acabou uma fase, começa outra. é sempre assim. fechou-se uma porta? e depois? foi um cordão umbilical que se cortou. finalmente! está na hora de partir para outra, procurar as janelas que se abrem depois da porta acabada de fechar.
acabou uma fase, começa outra. é sempre assim. fechou-se uma porta? e depois? foi um cordão umbilical que se cortou. finalmente! está na hora de partir para outra, procurar as janelas que se abrem depois da porta acabada de fechar.
27 dezembro 2011
tópicos
a semana passada foi de loucos.
alguns milhares de quilómetros pelas estradas nacionais.
armei-me em homem das mudanças mas um longo processo terminou, finalmente.
os furgões podem ser estáveis e rápidos. é impressionante como se guiam tão bem.
o jantar de Natal do pessoal foi calminho. já não temos o andamento de outros tempos, mas que importa? o que realmente interessa é a forma como aquelas horinhas são muito bem passadas. este ano mudámos de restaurante. para ser diferente. e para o ano logo se vê. que haja mais, porque qualquer motivo e válido.
este ano, o Natal foi cá em casa, pela primeira vez. foi especial, foi único. deu trabalho mas valeu bem a pena. que imagem magnífica ver a mesa cheia, as conversas, a partilha, os planos, as histórias, os momentos.
maldita otite que me tem chateado nos últimos dias. a dor já lá vai. mas ser surdo, mesmo que seja apenas de um ouvido, é péssimo. detesto a sensação por estar doente e por não poder continuar a desbravar os trilhos como gosto tanto. só espero estar apto para umas pedaladas ainda em 2011.
alguns milhares de quilómetros pelas estradas nacionais.
armei-me em homem das mudanças mas um longo processo terminou, finalmente.
os furgões podem ser estáveis e rápidos. é impressionante como se guiam tão bem.
o jantar de Natal do pessoal foi calminho. já não temos o andamento de outros tempos, mas que importa? o que realmente interessa é a forma como aquelas horinhas são muito bem passadas. este ano mudámos de restaurante. para ser diferente. e para o ano logo se vê. que haja mais, porque qualquer motivo e válido.
este ano, o Natal foi cá em casa, pela primeira vez. foi especial, foi único. deu trabalho mas valeu bem a pena. que imagem magnífica ver a mesa cheia, as conversas, a partilha, os planos, as histórias, os momentos.
maldita otite que me tem chateado nos últimos dias. a dor já lá vai. mas ser surdo, mesmo que seja apenas de um ouvido, é péssimo. detesto a sensação por estar doente e por não poder continuar a desbravar os trilhos como gosto tanto. só espero estar apto para umas pedaladas ainda em 2011.
13 dezembro 2011
mais uma preciosidade tão portuguesa
não bastava as SCUT serem pagas, tinham também de o ser através de um sistema complexo, sinuoso e quase obscuro. como se tudo isso não fosse suficiente, foi criado um esquema de discriminação positiva que dá dez viagens gratuitas na SCUT da área de residência por mês e um desconto nas restantes. os pedidos podem ser feitos em diversas instituições mas, adivinhem, estou nos CTT e o sistema não está a funcionar. "há muita gente a aceder e por vezes conseguimos entrar, noutras não", explica, amavelmente, a senhora que está ao balcão. só podia. não bastava toda a questão das SCUT ser polémica e conturbada como, depois, ainda temos todas as dificuldades para activar determinados benefícios. e pronto, a senhora lá ficou com os meus dados e prometeu ligar quando tivesse submetido o processo no sistema (esse terror) para que volte aos CTT e assine os papéis. será que vai ficar resolvido até ao final da semana? garantias não tenho...
já lá vai meio milhar
faz hoje precisamente três meses que comprei a nova "mula". foi no dia 13 de setembro que fui buscar a bicicleta e, desde então, pedalo como nunca o tinha feito. hoje não há, infelizmente, pedaladas para ninguém. era a melhor forma de celebrar a efeméride, mas não é possível. fica para o meio ano, ehehehehehe.
queria realçar, com toda esta conversa, que ando a descobrir um fabuloso mundo novo. sempre andei de bicicleta. tive uma bmx e duas btt (que na altura chamávamos "bicicletas de montanha").
as coisas são muito diferentes. hoje há mais cuidados. as bicicletas são verdadeiras preciosidades técnicas. e os cuidados têm de ser maiores. mas o que interessa mesmo é andar, pedalar.
o ritual é soberbo. preparar a "mula", por o capacete, calçar as luvas e sair sabe-se lá muito bem para onde. a relação directa com a natureza é única. os trilhos, os caminhos, os cheiros (da erva seca no verão, da geada no inverno). o esforço pode ser tremendo, mas não há uma única vez que não seja recompensador. e se o passeio for com mais pessoal, ainda melhor.
ontem fui dar uma volta, sozinho. é bom, embora não seja a mesma coisa. o conta-quilómetros já regista mais de 500 quilómetros. não é muito. mas todos eles foram muito bem aproveitados...
queria realçar, com toda esta conversa, que ando a descobrir um fabuloso mundo novo. sempre andei de bicicleta. tive uma bmx e duas btt (que na altura chamávamos "bicicletas de montanha").
as coisas são muito diferentes. hoje há mais cuidados. as bicicletas são verdadeiras preciosidades técnicas. e os cuidados têm de ser maiores. mas o que interessa mesmo é andar, pedalar.
o ritual é soberbo. preparar a "mula", por o capacete, calçar as luvas e sair sabe-se lá muito bem para onde. a relação directa com a natureza é única. os trilhos, os caminhos, os cheiros (da erva seca no verão, da geada no inverno). o esforço pode ser tremendo, mas não há uma única vez que não seja recompensador. e se o passeio for com mais pessoal, ainda melhor.
ontem fui dar uma volta, sozinho. é bom, embora não seja a mesma coisa. o conta-quilómetros já regista mais de 500 quilómetros. não é muito. mas todos eles foram muito bem aproveitados...
09 dezembro 2011
cativo
posso dizer que este ano comprei o meu primeiro cativo. um bilhete que valeu para três jogos, as três partidas do Benfica na fase de grupos da Liga dos Campeões. correu muito bem. apesar de dois empates caseiros (1-1 com o Manchester United e com o Basileia) e apenas uma vitória (1-0 com o Otelul Galati), não só passámos à próxima eliminatória como vencemos o grupo. desportivamente foi bom e ir ao estádio é sempre especial. o ambiente, o frenesim, o cheiro da relva.
não sei quando voltarei à Luz. mas de vez em quando tenho de lá ir matar saudades.
06 dezembro 2011
idas ao cinema
vou pouco ao cinema. mas sempre que entro numa sala do género, como aconteceu nesta noite, relembro-me porque é que, cada vez mais, gosto de ficar a ver filmes em casa. acho que todos os que têm a honra de se sentarem naquelas cadeiras, deviam cumprir as dicas de um manual de boas maneiras. a primeira: num cinema, durante um filme, não se fala!
05 dezembro 2011
preguiça
escrever por estas bandas tem sido algo muito raro. cansaço, desmotivação? um pouco dos dois. mas não é só aqui que ando com pouca vontade de bater nas teclas. e como há textos obrigatórios, aos quais não posso escapar, tudo o que é por gozo fica de lado. enfim, melhores dias virão.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

